Num contexto em que a digitalização está a transformar o setor energético a nível global, a energia eólica dá mais um passo estratégico com a criação do Laboratório de Inteligência Artificial Eólico, uma iniciativa conjunta da Associação Empresarial Eólica (AEE) e do Instituto de Engenharia do Conhecimento (IIC)**. O objetivo é claro: acelerar a aplicação prática da inteligência artificial no setor renovável e convertê-la numa verdadeira vantagem competitiva para toda a cadeia de valor.

O novo laboratório nasce para apoiar as empresas na identificação de casos de uso reais, analisar áreas de maior impacto, promover sinergias e avaliar o grau de maturidade das tecnologias disponíveis. Além disso, irá estudar as implicações organizacionais, regulatórias e operacionais da adoção de IA nas diferentes áreas de negócio do setor.

Segundo Juan Virgilio Márquez, diretor-geral da AEE, a integração da inteligência artificial na tecnologia eólica já é uma realidade ao longo de toda a cadeia de valor, mas o potencial de transformação para os próximos anos é ainda mais ambicioso. A energia eólica assume um papel protagonista, especialmente como base para instalações renováveis híbridas e geríveis, reforçando produtividade, eficiência e competitividade.

Um momento decisivo para a inteligência artificial nas renováveis

A criação do laboratório coincide com um momento estratégico para consolidar a IA como motor de transformação industrial. Entre os seus principais objetivos destacam-se acelerar a incorporação da inteligência artificial no setor, melhorar a previsão de produção, otimizar o ciclo de vida dos ativos, reduzir custos, antecipar incidências e reforçar a tomada de decisão baseada em dados.

A aplicação da IA já demonstra impacto em áreas como operação e manutenção, modelação meteorológica, previsão de produção e mercados elétricos. O IIC, com mais de 35 anos de experiência, tem contribuído para aumentar a eficiência operacional das energias renováveis através de plataformas avançadas, modelos de linguagem, machine learning e soluções de governança tecnológica.

De acordo com o relatório da Universidade de Stanford, Espanha ocupa o 7.º lugar mundial entre os países líderes no desenvolvimento de inteligência artificial, com base em 42 indicadores que incluem investigação, investimento e atração de talento. Este posicionamento reforça o potencial do país para liderar também a aplicação da IA no setor eólico.

Um mapa setorial de casos de uso até 2027

Como primeiro grande marco, o Laboratório irá elaborar um mapa setorial de casos de uso de IA no setor eólico, com publicação prevista para 2027. Este documento permitirá estruturar oportunidades em áreas como gestão de ativos, regulação, recursos humanos, processos internos e integração ambiental.

A dimensão colaborativa do projeto facilita a abordagem de desafios comuns, como a qualidade e disponibilidade dos dados, a integração com sistemas existentes, a maturidade das soluções tecnológicas e o cumprimento normativo. Para Álvaro Romero, diretor técnico da área de energia do IIC, o laboratório pretende impulsionar um modelo energético mais eficiente, preditivo e sustentável, onde a automação e a análise avançada de dados reforcem a capacidade de resposta aos desafios da transição energética.

Com esta iniciativa, AEE e IIC pretendem posicionar Espanha entre as referências europeias na aplicação de inteligência artificial às energias renováveis, consolidando um ecossistema industrial mais inovador e preparado para o futuro.

Impacto no setor e na transição energética

A integração estruturada da inteligência artificial no setor eólico contribui diretamente para o ODS 7, Energia Acessível e Limpa, ao melhorar a eficiência e a gestão da produção renovável, e para o ODS 13, Ação Climática, ao otimizar recursos e reduzir emissões associadas à operação e manutenção. Num país onde a energia eólica já cobre 24 por cento da procura elétrica e representa 24 por cento da potência instalada, o impacto de uma gestão mais inteligente pode traduzir-se em ganhos equivalentes ao abastecimento de milhares de lares adicionais com energia limpa.

A convergência entre digitalização, dados e aerogeradores cada vez mais avançados abre caminho a uma nova fase para o setor, onde a competitividade dependerá não apenas da capacidade instalada, mas também da inteligência aplicada à sua gestão.

A energia eólica espanhola demonstra, assim, que o futuro da transição energética não passa apenas por instalar mais megawatts, mas por torná-los mais inteligentes, previsíveis e integrados num sistema elétrico cada vez mais complexo e exigente.

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